As estradas moçambicanas, tanto as nacionais como as que atravessam as grandes urbes, encontram-se hoje num estado que dificilmente pode ser descrito de outra forma senão lastimável. Buracos profundos, degradação do pavimento, ausência de sinalização e falta de manutenção regular tornaram-se parte da paisagem rodoviária do país. Este cenário não é apenas um problema de mobilidade: é um problema de desenvolvimento, de segurança e, sobretudo, de vidas humanas.
A Estrada Nacional Número Um (N1), outrora símbolo de ligação e integração nacional — aquela que deveria unir o Rovuma ao Maputo, ecoando o antigo slogan da unidade nacional — parece hoje ter sido remetida ao esquecimento. Uma via que deveria ser orgulho de um país em construção e motor da circulação de pessoas e bens transformou-se, em muitos troços, num percurso de risco permanente. A sua reabilitação e conservação não são apenas uma questão técnica ou orçamental; são uma necessidade estratégica para o desenvolvimento económico e social de Moçambique.
É importante sublinhar que o impacto de estradas degradadas vai muito além do desconforto da condução. A ausência ou deficiência de sinalização horizontal e vertical em vastas extensões das nossas estradas é um factor silencioso, mas decisivo, para a ocorrência de acidentes. Sem marcas claras na via, sem sinalização visível de limites de velocidade, curvas perigosas ou prioridades de passagem, o condutor é frequentemente deixado à sua própria sorte. E quando o ambiente rodoviário falha, o risco multiplica-se.
Neste contexto, atribuir a responsabilidade dos acidentes apenas à má condução — como o excesso de velocidade ou a condução sob efeito de álcool — é uma leitura incompleta e, em certa medida, injusta. Não se trata de absolver comportamentos irresponsáveis ao volante, que também contribuem significativamente para a sinistralidade. No entanto, ignorar o papel do estado das infra-estruturas rodoviárias e da ausência de fiscalização e sinalização adequada é uma forma de transferir responsabilidades que deveriam ser partilhadas.
Estradas bem construídas, devidamente sinalizadas e regularmente mantidas desempenham um papel fundamental na prevenção de acidentes. Elas orientam o comportamento dos automobilistas, reduzem a margem de erro humano e permitem uma circulação mais segura e previsível. Em países onde a engenharia rodoviária é levada a sério, a taxa de sinistralidade tende a diminuir não apenas pela educação dos condutores, mas também pela qualidade do próprio ambiente rodoviário.
A segurança rodoviária deve ser entendida como um sistema integrado: infra-estruturas adequadas, sinalização eficiente, fiscalização rigorosa e educação cívica dos condutores. Quando um destes pilares falha, todo o sistema fica comprometido. Em Moçambique, a fragilidade das estradas e da sinalização agrava os erros humanos e transforma pequenos descuidos em tragédias irreparáveis.
No fim, cada buraco não tapado, cada sinal inexistente e cada estrada abandonada não representam apenas falhas técnicas ou administrativas — representam riscos reais de vidas perdidas. E cada vida perdida nas nossas estradas é um apelo silencioso por mais responsabilidade, mais investimento e mais compromisso com o bem público. Porque uma estrada segura não é luxo: é um direito e uma condição básica para o desenvolvimento de qualquer nação.